FATORES LIMITANTES À IMPLANTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE LEGUMINOSAS

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Não se considerando os fatores sócio-econômicos e culturais à implantação dos sistemas agrícolas que incluam leguminosas como cobertura do solo, no período de outono-inverno, podem ser apontados como fatores limitantes ao pleno desenvolvimento das plantas:

1. Temperatura
As diversas espécies vegetais estão divididas segundo adaptação térmica em leguminosas de verão e de inverno, incluindo, nas primeiras as mais conhecidas, cuja semeadura é efetuada na primavera-verão; e outras menos conhecidas de semeadura no verão-outono.

2. Solo
Apesar das leguminosas apresentarem ampla adaptação quanto ao tipo de solo, elas são exigentes a um mínimo de fertilidade do solo, traduzido principalmente por uma disponibilidade adequada de Ca, magnésio (Mg), P e K.
Dos poucos ensaios de adubação mineral executados com leguminosas adubos verdes, (MASCARENHAS et al., 1994), fica patente que plantas dessa família respondem mais à fertilidade do solo do que à adubação direta. Por esse motivo, nos sistemas que envolvem rotação com aquelas plantas, a cultura econômica principal é a que deve ser racionalmente adubada, não se podendo prescindir do monitoramento de fertilidade do solo através de sua análise periódica, enquanto a leguminosa aproveitaria o efeito residual daquela adubação. Ainda em relação à disponibilidade de nutrientes, deve-se considerar a presença em níveis tóxicos de alumínio e manganês. Segundo as pesquisas, as leguminosas são mais sensíveis relativamente às gramíneas, portanto exigem quantidades mais elevadas de corretivo para imobilizá-lo. Por outro lado, as gramíneas são mais sensíveis à toxicidade de alumínio do que as leguminosas.

3.Disponibilidade hídrica
A quantidade e a distribuição pluvial irão definir o maior ou menor desenvolvimento da planta no outono-inverno. Considerando-se a implantação das culturas já no final da estação chuvosa, portanto em condição marginal de distribuição hídrica, é normal, principalmente para semeaduras mais tardias, a ocorrência de déficit acentuado, tanto mais freqüente e intenso quanto mais ao norte do paralelo 22oS. Assim, semeaduras mais antecipadas em sentido inverso a essa tendência são garantia de menor risco.
A fase crítica na implantação das leguminosas é, sem dúvida, a da germinação e emergência das plântulas, ocasião em que a falta de água restringe ou impede a obtenção de população adequada. Posteriormente, pela natureza do sistema radicular, pela menor demanda de água devido ao avançar do outono-invernno e pelo estádio de desenvolvimento das plantas, exceto a soja no florescimento e frutificação e a crotalária nas fases iniciais de crescimento, os prejuízos por deficiência hídrica são poucos aparentes

;Paulo Cesar Ocheuse Trivelin; Takashi Muraoka; Fernanda Martinelli, Andrea Cristina Lanzoni; Rogério Haruo Sakai; Priscila Helena da Silva; Fernando Augusto Tassani Bréfere; Ana Paula. Godoy e Aadriano Belizário.
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