USO DE LEGUMINOSAS NA ADUBAÇÃO VERDE

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USO DE LEGUMINOSAS
Na adubação verde, a razão da preferência pelas leguminosas é principalmente, pelo fato destas em simbiose com bactérias do gênero Rhizobium e Bradyrhizobium, fixarem N do ar em quantidade suficiente para satisfazer suas necessidades e gerar excedentes para a cultura que a sucede. Sua composição química e relação Carbono (C)/N são outras importantes caraterísticas. Assim as leguminosas, em comparação com as gramíneas, são mais ricas em N, fósforo (P), potássio (K) e cálcio (Ca). Porém, a adubação verde não supre o solo em relação às suas deficiências minerais totais. Em solos deficientes em P, K, Ca, Mg, há necessidade de se aplicar os referidos elementos, de preferência nas culturas econômicas usadas em sucessão ou rotação. Por outro lado, é preciso ter cuidado com o desequilíbrio na fertilidade, principalmente em função da disponibilidade de N, em determinada fase da decomposição da matéria orgânica.

O enterrio de restos vegetais pobres em N nem sempre proporciona os resultados esperados, isto porque a flora microbiana não tem à sua disposição quantidade suficiente de N para seu desenvolvimento. A porção de N não utilizada pelas bactérias é que, transformada em nitratos, fica disponível para as plantas cultivadas ou para sofrer perdas por lixiviação. A leguminosa em decomposição apresenta proporção mais favorável à biologia do solo e conseqüente efeito positivo nas lavouras.
Segundo FRANCO & SOUTO (1984) as leguminosas comummente usadas em adubação verde, fixam em média, 188 kg de N/ha/ano, sendo estes adicionados ao solo, podendo assim racionalizar o uso de N. Com esta prática pode-se recuperar a fertilidade do solo, perdida devido ao manejo inadequado e à adoção de monocultivo, obter N para a cultura seguinte e evitar, assim, adubos altamente solúveis que podem poluir o ambiente (KOHL et al., 1971).
Além dessa associação é conhecida, também, a capacidade das leguminosas em formarem relações simbióticas mutualisticas com fungos, dando origem às micorrizas. Essas são relações fundamentais na agricultura ecológica, que não dispõe de insumos solúveis e prontamente disponíveis para as plantas. Com isso as leguminosas tem uma grande vantagem: as micorrizas proporcionam aumento na área explorada pelas raízes, colaborando para o desenvolvimento de plantas mais tolerantes à seca, com maior capacidade de nutrição, principalmente de fósforo, nitrogênio e outros elementos essenciais e a fixação biológica do nitrogênio é garantida pelas bactérias (rizóbio).

É de fundamental importância para a agricultura ecológica que se tenham plantas micorrizadas, e isso é muito fácil de se obter pois são raras as famílias de plantas em que não se observa esse tipo de associação. Sua presença é constatada em 80% das espécies vegetais estudadas até o momento, (AZCÓN et al., 1991).
Os fungos formadores de micorrizas são simbiontes obrigatórios e não crescem fora das raízes. Devido a isso, até pouco tempo passavam desapercebidos pelos microbiologistas e, levando-se em conta que também não são produzidas mudanças morfológicas nas raízes, sua presença foi tampouco detectada pelos fisiologistas. Em contraste com a grande quantidade e diversidade de plantas que formam micorrizas, somente umas 150 espécies de fungo são responsáveis pela infecção dessas plantas.

Além dos benefícios citados acima as micorrizas são importantes, também, no combate as doenças causadas pelo complexo de fungos de solo. A planta micorrizada adquire uma certa resistência a infecção pelos fungos patogênicos. Se pensarmos um sistema conduzido ecológicamente onde os adubos verdes utilizados em rotação de cultivos propiciam um equilíbrio de elementos nutrientes no solo e juntamente com as plantas micorrizadas atuando na proteção contra os fungos patogênicos, teremos uma completa proteção dessas plantas.
Uma das razões para essa proteção contra os fungos patogênicos das plantas micorrizadas são listadas por AZCÓN, 1999 como sendo: a melhor nutrição da planta assegurada pelas micorrizas; uma grande competição por sitios de infecção que agora estão tomados pelas micorrizas; a competição por fotossintetizados; mudanças fisiológicas e anatômicas do sistema radicular e finalmente a presença das micorrizas desencadeia uma resposta do sistema de defesa da planta, que tenta se defender da própria infecção das micorrizas até que elas possam ser identificadas e aceitas pelo hospedeiro.

Outro fato importante a considerar é o sistema radicular das leguminosas que pode alcançar elevadas profundidades com capacidade de absorver água e extrair elementos minerais destas camadas do solo, proporcionando assim, uma reciclagem e redistribuição de nutrientes. Contudo, o efeito das raízes na adubação verde é pouco estudado devido às dificuldades em se obter os dados.
Deve-se considerar também a proteção oferecida pela cobertura vegetal, as menores amplitudes diuturnas da variação térmica do solo, a proteção ao impacto das gotas da chuva e ao escorrimento superficial, proporcionando uma temperatura no solo mais estabilizada e protegendo o solo contra importantes perdas de nutrientes, de água e do solo.
Sendo assim, um sistema de rotação de culturas empregando leguminosas traz, além dos benefícios citados, incremento na produtividade e economia de adubo nitrogenado na cultura que a sucede no esquema de sucessão ou de rotação.

O fato de certas leguminosas serem más hospedeiras de nematóides formadores de galhas e a facilidade de produção de sementes contribuem para a difusão de seu uso em sistemas de produção. A ação das leguminosas sobre os nematóides segundo MASCARENHAS et al. (1984), pode ser caracterizada sob dois aspectos: primeiro, pela ação direta na inadequada hospedagem de algumas espécies e segundo, pelo maior equilíbrio microbiológico que as leguminosas utilizadas conferem ao solo por ocasião da distribuição da fitomassa.

;Paulo Cesar Ocheuse Trivelin; Takashi Muraoka; Fernanda Martinelli, Andrea Cristina Lanzoni; Rogério Haruo Sakai; Priscila Helena da Silva; Fernando Augusto Tassani Bréfere; Ana Paula. Godoy e Aadriano Belizário.
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