A SUSTENTABILIDADE DOS SISTEMAS ORGÂNICOS E A CONTRIBUIÇÃO DA ADUBAÇÃO VERDE

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1. INTRODUÇÃO
A definição mais difundida sobre adubação verde é aquela que diz "Denomina-se adubo verde a planta cultivada, ou não, com a finalidade precípua de enriquecer o solo com sua massa vegetal, quer produzida no local ou importada" (Kiehl, 1959). Embora considere-se como adubação verde o cultivo de varias espécies vegetais, naturais ou cultivadas, as leguminosas (Fabaceae) são as plantas mais utilizadas para essa finalidade.
No Brasil está prática já era recomendada por Dutra, 1919 que publicou o trabalho "Adubos verdes: sua produção e modo de emprego", destacando o efeito melhorador dessas culturas, e que era um fato universalmente aceito e que seu êxito dependia apenas a escolha das plantas a utilizar para esse fim.
A partir desse trabalho o assunto mereceu atenção dentro dos vários programas realizados no Instituto Agronômico, intensificando-se com Neme que, no período de 1934 a 1958, conduziu vários projetos visando a determinar quais as principais leguminosas para produção de adubo verde, estudando, ao mesmo tempo, os efeitos da matéria orgânica sobre a produção do milho, em várias localidades do estado de São Paulo. Nestes trabalhos destacaram-se como produtoras de massa verde a mucuna-preta, a crotalária paulina e o feijão-de-porco, sendo que a mucuna se destacou também por ter proporcionado aumentos significativos na produção do milho que seguiu ao adubo verde. Foi notado também o efeito da mucuna no controle do nematóide .
Com a prática da adubação verde, é possível recuperar a fertilidade do solo proporcionando aumento do teor de matéria orgânica, da capacidade de troca de cátions e da disponibilidade de macro e micronutrientes; formação e estabilização de agregados; melhoria da infiltração de água e aeração; diminuição diuturna da amplitude de variação térmica; controle dos nematóides e, no caso das leguminosas, incorporação ao solo do nutriente nitrogênio (N), efetuada através da fixação biológica (IGUE, 1984).
Durante as últimas décadas, devido a intensificação dos cultivos e aumento da disponibilidade de fertilizantes químicos de baixo custo, houve um declínio no uso da adubação verde (SINGH et al., 1991).
O manejo inadequado do solo pode trazer, com os cultivos, sérias conseqüências, exaurindo-o de suas reservas orgânicas e minerais, transformando-o em terras de baixa fertilidade. Nos solos tropicais, susceptíveis a esse fenômeno, torna-se necessário o emprego constante de práticas que visam minimizar esse problema (MELLO & BRASIL SOBRINHO, 1960).
Atualmente, observa-se a procura de um sistema de produção agrícola que seja capaz de recuperar a fertilidade do solo, incluindo a utilização de leguminosas como cobertura no outono-inverno, que têm apresentado resultados satisfatórios, na obtenção de renda extra e quanto aos efeitos benéficos na cultura subseqüente (BULISANI et al., 1987).
No Brasil, a prática da adubação verde vem sendo utilizada há mais de 30 anos com excelentes resultados sob as mais diversas condições de produção (MIYASAKA, 1984), sendo observados resultados positivos, quanto ao fornecimento de N para a cultura seguinte, nas culturas do milho, cultivada após a soja, (MASCARENHAS et al., 1986) algodão após a soja, cana-de-açúcar após a soja, em áreas de reforma, e milho após o tremoço, (TANAKA et al., 1992 ; KANTHACK et al., 1991 ; PEREIRA et alii, 1988; GALLO et al., 1983 e 1986).
Embora encontre-se dados de pesquisa obtidos nas mais diversas instituições do país, indicando o efeito favorável na produção agrícola, a prática da adubação verde ainda continua restrita a um reduzido número de agricultores (FREITAS et al., 1984).

Edmilson José Ambrosano(1) Nivaldo Guirado; Raffaella Rossetto; Heitor Cantarella; Gláucia Maria Bovi Ambrosano;Eliana Aparecida Schammass; Paulo César Doimo Mendes; Fabricio Rossi;Paulo Cesar Ocheuse Trivelin; Takashi Muraoka; Fernanda Martinelli, Andrea Cristina Lanzoni; Rogério Haruo Sakai; Priscila Helena da Silva; Fernando Augusto Tassani Bréfere; Ana Paula. Godoy e Aadriano Belizário.
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