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Um mundo verde e bastante lucrativo

Mirelle de França

O jeito tímido e reservado fica de lado quando Jorge Antunes, de 47 anos, começa a falar da Mundo Verde, rede que se proliferou pelo estado nos últimos anos. Um dos três sócios da franquia, ao lado da irmã e do cunhado, ele con ta que começou o negócio em Petrópolis, em 1987, com o equivalente a R$ 12 mil no bolso, um funcionário e a paixão pelos produtos naturais.

De lá para cá, a expansão impressiona. Atualmente, a marca tem 106 lojas - 77 só no Rio - espalhadas em 11 estados, cujo faturamento médio mensal é de R$ 70 mil. Já quanto o grupo fatura é um segredo guardado a sete chaves, mas a tendência é de expansão. A estratégia para este ano é abrir mais 20 pontos de vendas, a maioria em São Paulo, a um custo de R$ 250 mil cada um.

- Queremos nos expandir em São Paulo, o maior mercado consumidor do país, no qual hoje temos apenas quatro lojas - explica Antunes, lembrando que a rede vem crescendo, em média, 20% ao ano.

A idéia de criar a Mundo Verde surgiu depois de uma temporada da família nos Estados Unidos, nos anos 80, quando explodia o modismo da alimentação natural. Isabel Joffe, irmã de Antunes, decidiu trazer para o Brasil um conceito de loja que reunia, num só lugar, produtos saudáveis, dietéticos e esotéricos.

- Não imitamos nenhum modelo americano, mas percebemos que havia um grande filão a ser explorado nesse mercado, que estava em franca expansão - explica Antunes, ao contar que quando a loja foi criada havia apenas algumas dezenas de livros sobre alimentação natural, número que hoje subiu para mais de cinco mil.


Analista diz que expansão para São Paulo é desafio O consultor Alain Guetta, da Guetta Franchising, diz que a rede cresceu porque descobriu um nicho mal
explorado e porque adotou o sistema de franquias. Apenas três das 106 lojas são próprias.

- Geralmente, quem administra um negócio ligado a produtos naturais conhece o assunto, mas é idealista, não tem perfil de comerciante. A Mundo Verde soube aproveitar esse nicho do mercado e, além disso, cresceu rapidamente às custas do modelo de franquia, que permite a expansão da marca a um custo mais baixo. Essa foi a fórmula do sucesso da rede - analisa.

Mas Guetta acha que a expansão em São Paulo pode esbarrar nas diferenças regionais. Para ele o modelo tem a cara do Rio, com atendimento descontraído e uma gama muito ampla de produtos:

- O público de São Paulo é diferente. Para crescer e se solidificar na cidade, o atendimento e a escolha de produtos devem respeitar o perfil da cidade. Só assim a rede vai criar raízes por lá - diz.

A rede atende, em média, a 45 mil pessoas por dia, oferece dez mil itens e já criou filhotes. Além das lojas Mundo Verde, o grupo lançou a Mundo Verde Sucos, uma espécie de fast-food natural, com vitaminas e sanduíches naturais. Hoje são apenas três lojas, todas no Rio, mas o objetivo é ampliar a marca.

O crescimento da Mundo Verde também deve movimentar o mercado e a concorrência. De acordo com Ulysses Reis, consultor e sócio da Treinasse Soluções em Varejo, num primeiro momento o avanço da marca deve sufocar as pequenas lojas do ramo. A solução, segundo ele, é a especialização:

- Na primeira fase, uma expansão como essa engole os estabelecimentos menores. Saem de cena os idealistas. Quem é comerciante sobrevive, mas só aqueles que se especializarem em apenas um tipo de produto (velas aromáticas, por exemplo) vão crescer e competir.

Politicamente correto - criou uma ONG, a Mundo Verde Casa Azul, para ajudar crianças carentes, e emprega portadores de deficiência mental - Antunes não investe em publicidade:

- Não precisamos. Hoje todos querem ser saudáveis e se preocupam com o bem-estar e nós estamos lá. Além disso, contamos com o boca-a-boca dos próprios clientes.

FONTE - www.oglobo.com.br - 01/02/04

 

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